Hytalo Santos completa um ano da prisão com caso que repercutiu o país
Investigação começa em 2024, ganha repercussão nacional e resulta em prisão, condenação e novas apurações contra o casal.
O influenciador paraibano Hytalo Santose o marido, Israel Vicente, conhecido como ‘Euro’, completaram um ano presosno sábado (15). O casal foi detido em agosto de 2025, após investigações envolvendo conteúdos publicados com adolescentes nas redes sociais.
O caso ganhou repercussão nacional após um vídeo publicado pelo youtuber Felca. Desde então, houve bloqueio de redes sociais, buscas e apreensões, prisão preventiva, condenação criminal e novas investigações.
Hytalo e Israel permanecem presos na Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, o Presídio do Roger, em João Pessoa.
Em fevereiro de 2026, os dois foram condenados em primeira instância por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Hytalo recebeu pena de 11 anos e quatro meses de prisão. Israel foi condenado a oito anos, dez meses e 20 dias, ambos inicialmente em regime fechado.
Investigação começa antes da repercussão nacional

As apurações contra Hytalo começaram antes de o caso ganhar destaque em todo o país.
Em 17 de dezembro de 2024, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) informou que investigava denúncias relacionadas à possível exploração de crianças e adolescentes em conteúdos divulgados nas redes sociais.
Natural de Cajazeiras, Hytalo tinha, na época, 16,9 milhões de seguidores em um dos perfis.
O objetivo da investigação era esclarecer a participação de menores nas produções feitas pelo influenciador.
Naquele período, Hytalo publicou vídeos em defesa própria. Ele afirmava manter uma relação com adolescentes que chamava de “crias” e dizia que sua assessoria jurídica esclarecia as denúncias apresentadas.
Vídeo de Felca amplia repercussão do caso

Em 6 de agosto de 2025, o youtuber Felca publicou um vídeo abordando conteúdos produzidos por Hytalo com adolescentes.
Felca apresentou exemplos de publicações e criticou a exposição de jovens nas redes sociais.
Entre os casos citados estava o de Kamyla Santos, que tinha 17 anos na época. Segundo Felca, a imagem da adolescente era explorada de maneira sensual para gerar audiência e lucro.
Dois dias depois, em 8 de agosto, a conta de Hytalo deixou de ficar disponível no Instagram.
Justiça bloqueia redes sociais e restringe contato
Em 12 de agosto de 2025, a Justiça da Paraíba determinou o bloqueio do acesso de Hytalo às redes sociais.
A decisão também proibiu o influenciador de manter contato com adolescentes citados no processo e determinou a desmonetização dos conteúdos.
O pedido havia sido apresentado pelo Ministério Público da Paraíba em uma ação civil pública.
O MPPB informou ainda que Hytalo havia sido ouvido em 30 de maio de 2025, em Bayeux.
Os adolescentes não foram novamente ouvidos naquele procedimento para evitar revitimização, uma vez que já haviam prestado depoimento em outro processo.
Segundo o promotor João Arlindo, Hytalo negou as acusações durante depoimento.
Plataformas digitais também adotaram medidas. O Google informou que desmonetizou o canal e retirou conteúdos que violavam suas diretrizes.
O TikTok afirmou que um perfil do influenciador havia sido banido pela segunda vez em 2025.
Já a conta de Kamyla Santos foi desativada, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, por publicidade de apostas feita por menor de idade.
Polícia cumpre buscas em endereços ligados a Hytalo

Em 13 de agosto de 2025, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Hytalo, em um condomínio no Portal do Sol, em João Pessoa.
O influenciador não foi encontrado.
Segundo informações registradas durante o cumprimento da ordem, funcionários do condomínio relataram que ele havia deixado o imóvel antes da chegada das equipes levando equipamentos em um veículo.
No dia seguinte, a Justiça autorizou novas buscas em três endereços relacionados ao influenciador.
As diligências aconteceram na residência no Portal do Sol e em prédios empresariais nos bairros dos Expedicionários e dos Estados.
Um computador e aparelhos celulares foram apreendidos.
Hytalo e Israel são presos em São Paulo

Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos preventivamente em 15 de agosto de 2025, em uma casa localizada em Carapicuíba, na Grande São Paulo.
Segundo o delegado responsável pela prisão, o casal estaria em uma possível rota de fuga do Brasil.
Inicialmente, os dois foram encaminhados para uma cadeia pública de Carapicuíba.
Posteriormente, por questões de segurança, ficaram no Centro de Detenção Provisória 1 de Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista.
Em 16 de agosto, o Tribunal de Justiça da Paraíba negou uma liminar em habeas corpus apresentada pela defesa para tentar libertar o casal.
Justiça determina bloqueio de até R$ 20 milhões
Cinco dias depois da prisão, em 20 de agosto de 2025, a Justiça do Trabalho determinou o bloqueio de carros, empresas, valores e outros bens relacionados a Hytalo e Israel.
A medida poderia alcançar R$ 20 milhões.
O pedido foi apresentado pelo Ministério Público do Trabalho para garantir eventual indenização por dano moral coletivo e medidas de reparação e assistência às vítimas.
Segundo o MPT, existiam indícios de ocultação patrimonial, movimentações financeiras consideradas atípicas e possíveis manobras para blindagem e dissipação de bens.
Casal é transferido para o Presídio do Roger

Em 28 de agosto de 2025, Hytalo e Israel foram transferidos de São Paulo para a Paraíba.
Após chegarem a João Pessoa, os dois passaram por exames de corpo de delito no Instituto de Polícia Científica.
Depois, foram encaminhados ao Presídio do Roger, onde permanecem presos.
Uma equipe paraibana foi a São Paulo realizar a transferência. Segundo as autoridades, as passagens haviam sido adquiridas dois dias antes.
Justiça condena Hytalo e Israel

Em fevereiro de 2026, a Justiça da Paraíba condenou Hytalo e Israel por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes.
A sentença foi assinada pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux, na Grande João Pessoa.
Hytalo foi condenado a 11 anos e quatro meses, enquanto Israel recebeu pena de oito anos, dez meses e 20 dias.
As condenações foram estabelecidas inicialmente em regime fechado e ocorreram em primeira instância.
Defesa pede anulação da sentença
Após a condenação, a defesa apresentou uma petição solicitando a anulação da sentença.
Os advogados argumentam que a decisão adotou uma interpretação ampla do crime e citam a chamada “ECA Digital” e o decreto que regulamenta a legislação.
A defesa também sustenta que os conteúdos representam uma manifestação cultural ligada a movimentos periféricos, como o BregaFunk, citando a liberdade de expressão cultural.
O pedido foi apresentado à Vara da Infância e Registro Público da Comarca Integrada de Bayeux e Santa Rita.
Até a atualização do material, não havia prazo para o juiz analisar o pedido.
Nova operação investiga lavagem de dinheiro
Em 1º de julho de 2026, Hytalo e Israel também foram alvos de uma operação que investiga lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em João Pessoa, Campina Grande e Recife.
Segundo o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), os valores investigados teriam origem em jogos e apostas ilegais.
A apuração também menciona pagamentos em espécie relacionados ao jogo do bicho.
A investigação surgiu como desdobramento das apurações envolvendo a exploração da imagem de crianças e adolescentes.
Na ocasião, a defesa declarou que Hytalo e Israel sempre colaboraram com a Justiça e estavam à disposição das autoridades para sustentar a inocência dos dois.
Hytalo responde a outros 14 processos

Além da condenação, Hytalo aparece como parte em outros 14 processos na Justiça da Paraíba, envolvendo áreas criminal e cível.
Entre eles estão uma ação criminal por resistência e processos relacionados a direito de imagem, despesas condominiais e inadimplemento.
Há ainda registro de outros 14 processos já arquivados definitivamente na Justiça estadual.
Os detalhes das ações em andamento não estavam disponíveis no sistema do Tribunal de Justiça da Paraíba.
Casal também é réu na Justiça do Trabalho
Na esfera trabalhista, Hytalo e Israel são réus em uma ação por tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão.
Segundo o MPT-PB, existem indícios de que menores eram levados para morar com o casal e submetidos a condições de trabalho.
O órgão também aponta possível isolamento do convívio familiar e restrição de comunicação com pessoas fora da residência.
As acusações ainda fazem parte da ação trabalhista e não correspondem à condenação criminal já proferida em fevereiro.
A defesa responsável pelos processos criminais e o advogado que representa o casal na Justiça do Trabalho não responderam aos contatos feitos até a última atualização do material.
Cronologia do caso Hytalo Santos
- 17 de dezembro de 2024: MPPB informa que investiga denúncias envolvendo conteúdos com crianças e adolescentes.
- 6 de agosto de 2025: vídeo de Felca amplia a repercussão nacional do caso.
- 8 de agosto: perfil de Hytalo deixa de ficar disponível no Instagram.
- 12 de agosto: Justiça bloqueia redes sociais, restringe contato com adolescentes e determina desmonetização.
- 13 de agosto: polícia cumpre busca e apreensão na residência do influenciador.
- 14 de agosto: Justiça autoriza novas buscas em três endereços.
- 15 de agosto: Hytalo e Israel são presos preventivamente em Carapicuíba.
- 16 de agosto: TJPB nega pedido de liberdade.
- 20 de agosto: Justiça do Trabalho determina bloqueio patrimonial de até R$ 20 milhões.
- 28 de agosto: casal é transferido para o Presídio do Roger, em João Pessoa.
- Fevereiro de 2026: Hytalo e Israel são condenados em primeira instância.
- 1º de julho de 2026: nova operação investiga lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
Resumo da Notícia
- Hytalo Santos e Israel Vicente completam um ano presos.
- O caso começou a ser investigado em 2024 e ganhou repercussão nacional em agosto de 2025.
- O casal foi preso preventivamente em 15 de agosto de 2025, em São Paulo.
- Em fevereiro de 2026, Hytalo recebeu pena de 11 anos e quatro meses, e Israel, de oito anos, dez meses e 20 dias.
- Os dois ainda são alvos de outras ações e investigações, inclusive nas áreas trabalhista e de lavagem de dinheiro.





