As entrelinhas históricas, sociais e políticas diante dos ataques dos EUA contra o Brasil

Por Jaimacy Andrade – Em mais de 200 anos de relações comerciais com os Estados Unidos, o Brasil se depara com uma “guerra comercial”, por enquanto unilateral, deflagrada em prol dos interesses de uma única família: os Bolsonaro, que querem através do governo Trump colocar um freio em todos os processos – contra o patriarca, que caminham para possível desfecho de prisão para o ex-presidente.
Desde a abertura dos portos do Brasil para a economia internacional, em 1808, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, nunca se viu tamanha ousadia de um país em querer intervir no judiciário e na economia brasileira. E o motivo dessa investida é o que mais impressiona: defender um político inelegível, derrotada nas urnas e prestes a ser condenado por tentativa de golpe.
Sob esse pretexto, Trump lançou o tarifaço de 50% nas importações brasileiras e segue agregando motivos invasivos, a exemplo do PIX, que já vem sendo monitorado por eles desde 2022, o comércio da 25 de março, em São Paulo, cancelou vistos de ministros do STF e de seus familiares e não há previsão de trégua. Até o cancelamento do espaço aérea para voos brasileiros já estaria sendo cogitado. Tudo em nome da liberdade de uma pessoa, que está sendo julgada pela justiça brasileira.
Do lado de cá estão mais de 200 milhões de habitantes que já começam a ser afetados com as sanções econômicas, sem a menor importância para os interlocutores brasileiros que estão interessados nos resultados familiares. O patriotismo foi deixado de lado, em nome dos interesses particulares. Resta agora Trump querer intervir também no Sistema Único de Saúde, que investe bilhões no Brasil, coisa que não existe por lá, onde a saúde é toda privada.
Veja alguns benefícios públicos que Brasil que não são comuns ou não existem nos Estados Unidos
Sistema de aposentadoria com aposentadoria integral para servidores públicos, o 13º salário, férias remuneradas e o acesso universal à saúde através do SUS (Sistema Único de Saúde).
Nos EUA, não há garantia de férias remuneradas, o acesso à saúde é majoritariamente privado e a aposentadoria pública é menor em comparação com o salário.
Benefícios que o Brasil tem e não existem nos EUA:
- Aposentadoria integral para servidores públicos:
No Brasil, servidores públicos que ingressaram antes de 2013 (e mesmo após com sistemas de previdência complementar) têm direito a aposentadoria com o valor integral do último salário, o que não ocorre nos EUA, onde a aposentadoria pública geralmente não atinge o valor integral do salário.
- 13º salário:
O 13º salário, um pagamento adicional equivalente a um mês de salário, é obrigatório no Brasil, mas não existe nos EUA.
- Férias remuneradas:
No Brasil, o trabalhador tem direito a 30 dias de férias remuneradas após 12 meses de trabalho, enquanto nos EUA, as férias não são obrigatórias e muitas vezes não são remuneradas, dependendo do contrato de trabalho.
- Acesso universal à saúde (SUS):
O Sistema Único de Saúde (SUS) garante acesso gratuito e universal à saúde no Brasil, enquanto nos EUA, o sistema de saúde é majoritariamente privado e o acesso depende de planos de saúde e seguros, o que pode gerar desigualdades no acesso.
Outras diferenças:
- Concurso público:
No Brasil, a maioria dos cargos públicos são ocupados por meio de concursos, enquanto nos EUA, o sistema de contratação é mais semelhante ao de empresas privadas.
- Salário mínimo:
Enquanto nos EUA o salário mínimo é definido por hora trabalhada e pode variar entre estados, no Brasil o salário mínimo é mensal e nacionalmente unificado.
- Benefícios sociais:
O Brasil possui programas de assistência social como o Bolsa Família, que visam reduzir a pobreza e a desigualdade, enquanto nos EUA, programas sociais são mais focados em casos de extrema necessidade.
Quem lucra e quem perde com esses ataques dos EUA contra o Brasil?
Grandes investidores lucraram bilhões de dólares, horas antes do anúncio do tarifaço, conforme matérias publicadas na mídia mundial, com a alta do dólar. Mas, as grandes perdas econômicas são para os brasileiros (os americanos também serão atingidos, uma vez que eles têm superávit na balança comercial com o Brasil), que estão diante da iminente perda de empregos, renda e até queda no PIB.
No campo político, os ganhos reais, segundo as pesquisas recentes, vieram repentinamente para o governo Lula, que teve todos os índices de aprovação melhorados. O governo, que vinha numa queda livre em sua aprovação, se deparou com pesquisas que mostram Lula na frente de todos os pretensos futuros candidatos à Presidência da República, em todos os cenários. Tudo isso, simplesmente pelo discurso de manter a soberania do Brasil, sem aceitar a intervenção dos EUA e anunciar medidas para amenizar os problemas. Dessa forma, o governo surfa no discurso de patriotismo e soberania enquanto o bolsonarismo navega em busca de um porto seguro para o seu líder, que quer se livrar de uma possível condenação e de todos os processos para ser candidato em 2026.


