Crônica de Sábado – Quem diz que fica, não foge
Ele jurou que não deixaria o Brasil. Em palanque, em rede social, em tom de bravata: “Não vou sair daqui”.
Saiu. E fugiu.
Não foi viagem. Não foi exílio. Foi fuga. Depois de perder a eleição para Lula e de ser intimado a entregar o passaporte por suspeita de lavagem de dinheiro, Flávio Bolsonaro cruzou a fronteira para a Argentina e pousou em Miami com um visto temporário arranjado pelo governo Trump.
Quem fala que enfrenta a Justiça, enfrenta aqui. Quem foge, assume culpa. Essa é a mensagem que fica.
E a fuga escancara três coisas.
Primeiro, a incoerência. Como pregar patriotismo, soberania, Deus e família, e, na primeira adversidade, correr para pedir proteção nos Estados Unidos?
Segundo, o abandono. Mais de 50 milhões de brasileiros votaram nele. Gente que acreditou. O recado da fuga é: vocês que se virem. Os generais que antes o apoiavam já estão dizendo, nos bastidores, que o bolsonarismo sem Bolsonaro é melhor. Que agora é hora de Tarcísio. Ele queimou a própria base para salvar a pele.
Terceiro, a conta que vem. Lá na Flórida, ele aparece em culto evangélico se dizendo perseguido político. Aqui, responde a dois inquéritos no Supremo: um sobre dinheiro sujo de apostas e outro sobre financiamento ilegal de filme. O “parole” americano – que é uma permissão temporária para ficar um ano nos EUA mesmo sem visto válido – dura um ano. E depois? Vai virar cabo eleitoral de Trump enquanto o Brasil segue?
Quem jura que não abandona o barco não pode ser o primeiro a pular no bote.
“Líder que foge não volta
como líder. Volta como réu”.
Hilomar Araújo : .



