PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Morte em Florença

Sérgio Botelho – Desde o ano de 1892 que o pintor Pedro Américo de Figueiredo e Melo, nascido em Areia a 29 de abril de 1843, se encontrava na Europa. Na ocasião, se afastara da função de deputado geral (com participação na Constituinte de 1891) pela Paraíba.
A Europa era a segunda casa do internacionalmente festejado artista paraibano. Seguindo-se ao grito de independência, o Brasil buscara se consolidar como nação, entre outros sinais da época, embevecido pelas estéticas artísticas europeias.
Assim, os artistas brasileiros mais ilustres, financiados pelo poder imperial, viveram entre o Velho Continente e o país de origem, resultando num modelo de arte que acabou formal e entusiasticamente impactado na Semana de 22, em São Paulo. Mas essa é outra história.
Justiça seja feita, não fossem experts europeus o potencial de Pedro Américo talvez nunca tivesse sido descoberto. Menino pobre, já que o pai era pequeno comerciante em Areia, seu pendor artístico era vivenciado apenas por parentes e alguns conterrâneos.
Em 1852, durante viagem de pesquisa pela Paraíba, o naturalista francês Louis Brunet e o retratista alemão Bindseil ficaram de tal forma encantados com a arte daquela criança, que o levaram para o resto da viagem.
(Fundamental lembrar que retratistas e desenhistas figuravam as descobertas, nessas expedições, função posteriormente substituída pela fotografia, uma técnica não praticada em escala até a época de Brunet).
Não satisfeitos, mexeram com Deus e o mundo, do governo da Província da Parahyba do Norte à corte, no Rio de Janeiro, até que a educação da criança ficou totalmente às expensas do Império do Brasil.
Pois bem. Em 7 de outubro de 1905, a morte flagrou, na cidade italiana de Florença, o pintor de Independência ou Morte e ex-professor da Academia Imperial de Belas Artes. Embalsamado, desembarcou na Paraíba em 28 de abril de 1906.
Hoje, atendendo expresso desejo dele (Pedro Américo), seu corpo repousa em berço esplêndido. Estou falando da cidade de Areia.
Sérgio Botelho é jornalista, escritor, memorialista e membro do IHGP.






