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JAIMACY ANDRADE

​O Gigante invisível: Com 33 milhões de ausências, o eleitor abstêmio definirá o segundo turno das Eleições 2026

Veja como foi a abstenção em cada estado.

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A história da abstenção eleitoral no Brasil é um retrato direto da relação de altos e baixos entre o cidadão e a representatividade política no país. Desde a redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988, o voto foi estabelecido como um dever e um direito, instituindo o caráter obrigatório para grande parte da população. Contudo, ao longo das últimas décadas, o percentual de brasileiros que optam por não comparecer às urnas vem registrando uma trajetória ascendente contínua nas eleições gerais. Em 1998, o país atingiu um de seus picos históricos, com 21,49% de ausências. Nos pleitos seguintes, a taxa oscilou, mas manteve uma firme tendência de crescimento a partir de 2006, refletindo transformações demográficas, desgaste com a classe política, entraves de deslocamento e mudanças na própria percepção sobre o impacto do voto individual.

​Nas eleições de 2026, esse fenômeno alcançou um marco impressionante: no primeiro turno, a abstenção superou a marca de 33,4 milhões de eleitores, o que equivale a 21,08% do eleitorado apto no país. Esse volume de ausências representa a maior taxa em eleições gerais registradas pela Justiça Eleitoral desde o final da década de 1990, ultrapassando os 32,7 milhões registrados em 2022. Em um cenário onde a proporção de ausentes é numericamente superior à votação obtida por vários dos candidatos e legendas que disputaram o pleito, a não participação deixou de ser um simples detalhe estatístico para se tornar o maior “bloco” a ser conquistado.

​Diante do afunilamento para o segundo turno das eleições deste ano, o contingente de não votantes assume papel indiscutivelmente decisivo. Historicamente, a disputa na segunda etapa costuma ser definida por margens estreitas de votos válidos. Quando mais de 33 milhões de pessoas deixam de ir às urnas, a virada de cenário ou a consolidação de uma liderança depende diretamente da capacidade de convencer uma fração desse grupo a mudar de atitude e comparecer. Em termos práticos, quem conseguir mobilizar o eleitor desiludido, indiferente ou impossibilitado no primeiro turno terá em mãos a chave para garantir a maioria das urnas no segundo turno.

​Para reverter esse quadro e motivar o eleitor a exercer seu direito de voto, é necessária uma combinação de medidas logísticas, pedagógicas e de discurso político. No plano prático, a garantia de transporte público gratuito no dia da votação em todo o território nacional — minimizando barreiras econômicas para as populações de menor renda —, além da ampliação da acessibilidade nos locais de votação, continuam sendo passos fundamentais. No plano do debate, as campanhas precisam ir além da rejeição mútua e focar em propostas concretas para o cotidiano do cidadão, como saúde, emprego e segurança, reduzindo a sensação de apatia política. Para consultar sua situação eleitoral, dados da sua zona ou acompanhar o calendário oficial, é recomendável acessar o portal da Justiça Eleitoral.

Veja os destaques da  abstenção por estado

  1. ​Mato Grosso do Sul: 23,85%
  2. ​São Paulo: 22,54%
  3. ​Mato Grosso: 22,18
  4. ​Rio de Janeiro: 23,31%
  5. ​Minas Gerais: 22,62%
  6. ​São Paulo: 22,54%
  7. ​Ceará: 15,33%
  8. ​Piauí: 17,07%
  9. ​Roraima: 17,10%
  10. ​Sergipe: 17,27%
  11. ​Paraíba: 17,36%

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