PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Entrevista de Luiz Saia, da Missão Folclórica Mário de Andrade de 1938

Sérgio Botelho – O antigo jornal católico paraibano, sediado em João Pessoa, A Imprensa, publicou, na edição de 1º de junho de 1938, importante entrevista com o engenheiro e arquiteto Luiz Saia, chefe da Missão Folclórica Mário de Andrade à Paraíba, onde ele faz um balanço dos trabalhos da equipe, no estado, antes de seguir para o Piauí.
Encontrei o exemplar na hemeroteca do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, entidade cujas estantes estão lotadas de coleções de jornais e de documentos e de livros à disposição de pesquisadores, memorialistas e historiadores.
Saia começa a entrevista se dizendo em “estado de choque” diante da variedade de paisagens, costumes, tipos humanos e manifestações culturais encontradas. Contudo, considerou que ainda não se sentia capaz de dar uma impressão de conjunto sobre a Paraíba.
Adiantou, no entanto, que ao percorrer Sertão, Brejo, Caatinga, Curimataú, Litoral e pequenas zonas observou que elas são “perfeitamente diferenciadas”. A Paraíba não aparecia ao grupo paulista como um território uniforme, mas como um mosaico de regiões culturais.
Na opinião dele, a equipe deveria ter mais tempo para pesquisar melhor o estado. Ao todo, segundo revelou, a missão andou 37 dias, sendo 25 dias pelo Sertão e 12 dias pelo Brejo e Litoral.
“…a gente lamentava não poder ficar muito tempo neles, mais dias, semanas talvez e quem sabe até mesmo morar ali, que se entreveem variadas sugestões para estudo a fazer, através das conversas rápidas, das informações lacônicas e prometedoras”, declarou Saia.
Por tudo isso, na oportunidade da entrevista, o chefe da missão revelou uma certa sensação de perda, justamente pela riqueza da vida cultural paraibana, que encantou a equipe, diante da falta de tempo. Nessa observação ele foi explícito. Tem mais…
Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.



