COLUNASÉRGIO BOTELHO

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Borges da Fonseca e o Manifesto ao Mundo

Foto: Ilustração

Sérgio Botelho –1848 foi mais um ano agitado em Pernambuco, após a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador, em 1824, ambas de orientação republicana (sendo a de 1817 a mais explícita, nesse particular) e liberal.
Os dois movimentos alcançaram Antonio Borges da Fonseca, em tempos de criança e adolescente, vivendo entre a Parahyba (atual João Pessoa), onde nasceu e morava a mãe indígena, e Recife, residência do pai, o militar Antônio José Vitoriano Borges da Fonseca.
A vivência na casa do pai, na capital pernambucana, particularmente, lhe fez testemunha e ouvinte atento de encontros políticos costumeiros. Além do que, aprendeu muito no Lyceu Pernambucano, inclusive nos livros de Jean-Jacques Rousseau.
Perto de completar 41 anos, em janeiro de 1849, o paraibano Borges da Fonseca reuniu todo o seu aprendizado e convicções políticas, aliadas à destreza com que manejava a língua e as ideias nas páginas dos jornais, para escrever o Manifesto ao Mundo.
De caráter radical, para a época, o documento defendia a convocação de uma Constituinte, liberdade de imprensa, garantia ao trabalho, independência dos poderes, reforma do Judiciário e voto livre e universal. E uma particularidade: mais brasileiros no comércio varejista local.
O Manifesto ao Mundo embalou uma nova rebelião liberal, em Pernambuco, que se expressava por meio do jornal Diário Novo, que funcionava na Rua da Praia, em Recife, e que, por isso, ganhou o nome de Revolução Praieira. Um outro capítulo da história brasileira.
No interior desse movimento, Borges da Fonseca não foi apenas o teórico do manifesto, tendo participado de ações revolucionárias no comando de uma unidade militar, embora a arma que ele mais soubesse manejar fosse a palavra.
Na sequência, a Revolução Praieira.

Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.

 

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