Mil curativos por mês: hospital é referência estadual em cirurgia vascular e se destaca no tratamento de feridas vasculogênicas na Paraíba

O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), em João Pessoa, referência estadual em cirurgia vascular, vem se consolidando no tratamento de lesões vasculogênicas na Paraíba — feridas crônicas causadas por problemas na circulação sanguínea, geralmente associadas a doenças como insuficiência venosa ou diabetes. A unidade realiza, em média, mil curativos por mês em pacientes, muitos deles vindos de diversas regiões do Estado em busca de assistência especializada.
Além da alta demanda, o hospital passa a integrar um projeto piloto em parceria com o Centro Universitário UNIESP (UNIESP), que utiliza recursos da fisioterapia dermato-funcional para acelerar o processo de cicatrização de feridas crônicas.
Referência estadual e porta de entrada para casos complexos
De acordo com a enfermeira da Comissão de Pele do HSVP, Janaína Alves, o ambulatório de curativo vascular funciona de segunda a sábado, com atendimento a pacientes por demanda espontânea e também por encaminhamentos regulados pela Secretaria Municipal de Saúde. “Muitos pacientes vêm da cirurgia vascular, após procedimentos como desbridamento ou amputação, e seguem para o ambulatório para dar continuidade ao tratamento. Também recebemos pacientes de vários municípios”, explica.
Essas lesões dificultam a cicatrização e podem permanecer abertas por longos períodos, causando dor, infecção e limitações na rotina dos pacientes. “São pacientes que muitas vezes se sentem excluídos da sociedade. São feridas extensas, dolorosas, que afetam diretamente a qualidade de vida”, destaca a enfermeira.
Novo tratamento pode reduzir frequência de curativos
Com a chegada de novas tecnologias, o hospital passa a oferecer alternativas que podem diminuir a frequência de visitas dos pacientes ao ambulatório. “Atualmente, muitos precisam vir todos os dias. Com as novas coberturas e abordagens, eles podem passar a vir a cada 48 ou 72 horas, o que melhora o conforto e a adesão ao tratamento”, afirma Janaína.
Fisioterapia amplia cuidado e acelera cicatrização
O projeto é desenvolvido em parceria com o Centro Universitário UNIESP (UNIESP) e envolve estudantes e professores do curso de fisioterapia.
Segundo a professora e preceptora do curso de fisioterapia do Uniep, Gimena Gonçalves, a iniciativa utiliza tecnologias que atuam diretamente no processo de cicatrização. “Estamos utilizando alta frequência, que tem ação bactericida; microcorrentes, que estimulam a circulação; e o laser, que acelera o fechamento das feridas”, explica.
Ela ressalta que, enquanto algumas lesões podem cicatrizar em até 30 dias, úlceras vasculogênicas crônicas podem durar anos — com registros de pacientes convivendo com feridas por até uma década. “Com esses recursos, segundo estudo publicado, já é possível observar melhora significativa entre cinco e onze sessões”, completa.
Neste primeiro momento, o projeto atende pacientes de forma limitada, devido à disponibilidade de equipamentos, mas a expectativa é de ampliação. “A intenção é alcançar mais pacientes, porque a demanda aqui é muito grande”, reforça a professora.
Integração entre assistência, ensino e pesquisa
Com alto volume de atendimentos e recebendo pacientes de todo o Estado, o Hospital São Vicente de Paulo reforça seu papel como referência estadual em cirurgia vascular.
A iniciativa também evidencia a importância da integração entre assistência, ensino e pesquisa dentro do sistema público de saúde, ampliando o acesso a tratamentos mais modernos. “Mais do que tratar a ferida, é devolver dignidade ao paciente”, finaliza Janaína Alves.



