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Mísseis X Pão: O Custo da guerra e o fim da fome

Ilustração

​A humanidade vive um paradoxo cruel em 2026. Enquanto os avanços tecnológicos permitem a exploração espacial e a inteligência artificial generativa, milhões de pessoas ainda não sabem se terão o que comer amanhã. No centro desse debate está o orçamento militar dos Estados Unidos, que atingiu patamares históricos, levantando uma questão inevitável: e se esse capital fosse investido na vida, em vez da destruição?

​O cifrão do conflito: O gasto militar dos EUA

​Em 2025, os gastos com defesa nacional dos EUA totalizaram aproximadamente US$ 919 bilhões. Para 2026, as projeções continuam na casa dos trilhões quando somados os gastos operacionais, pensões de veteranos e assistência externa.

​Além do orçamento base, o financiamento de conflitos específicos consumiu recursos massivos nos últimos anos:

  • Ucrânia: Desde 2022, os EUA alocaram cerca de US$ 188 bilhões em ajuda (militar e humanitária).
  • Israel: Apenas em 2024, a assistência escalou para cerca de US$ 12,5 bilhões, mantendo níveis elevados em 2025 e 2026 devido à instabilidade regional.

​O Mapa da fome em 2026

​Enquanto bilhões fluem para armas, a insegurança alimentar atinge níveis de crise. De acordo com o Global Hunger Hotspots 2026, os países em situação mais crítica são:

País / Região

População em Insegurança Aguda

Status

Nigéria

~31,8 milhões

Maior crise absoluta

Sudão

~25,6 milhões

Fome extrema por conflito civil

Gaza (Palestina)

~94% da população

Fome catastrófica declarada

Sudão do Sul

~56% da população

Crise crônica e climática

Afeganistão

~15,8 milhões

Colapso econômico e isolamento

 

Outros países como Haiti, Iêmen, Etiópia e República Democrática do Congo completam a lista de “pontos críticos” onde a sobrevivência diária é uma incerteza.

​A Projeção: O que daria para fazer?

​A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (WFP) estimam que, para acabar com a fome mundial até 2030, seriam necessários cerca de US$ 40 a US$ 93 bilhões por ano em investimentos adicionais.

​A Matemática da redirecionamento

​Se pegássemos apenas 10% do orçamento militar anual dos EUA (aprox. US$ 92 bilhões), poderíamos:

    1. Erradicar a Fome Imediata: Custear o déficit de financiamento de todas as agências da ONU, garantindo refeições para as 318 milhões de pessoas em estado de crise.
    2. Infraestrutura Agrícola: Investir em sementes resilientes ao clima, sistemas de irrigação e estradas em países como Nigéria e Sudão, onde o desperdício pós-colheita é imenso.
    3. Resiliência Climática: Criar fundos de seguro para agricultores em regiões de seca severa (como o Chifre da África).

Ponto de reflexão: O valor gasto apenas na guerra da Ucrânia (US$ 188 bi) seria suficiente para financiar o fim da fome global por pelo menos dois anos inteiros, com sobras para investir em educação básica nesses mesmos países.

 

​Conclusão

​A fome não é um problema de falta de comida — o mundo produz calorias suficientes para todos — mas sim de prioridade política e logística. A discrepância entre o que se gasta para proteger fronteiras e o que se gasta para salvar vidas revela uma falha ética na governança global. Enquanto o “poder” for medido em ogivas e não em grãos, o prato de milhões continuará vazio.

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