PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Prédios históricos de grande valor urbano e afetivo

Sérgio Botelho – O mês de março tem especial importância para a cidade de João Pessoa, pois, ainda na segunda semana de 1912, a luz elétrica foi acionada pela primeira vez na capital. Até então, os espaços públicos eram iluminados por lampiões a acetileno, obtido pela reação do carbureto com a água, tecnologia que começava a ganhar espaço naquele período.
Muita coisa desta época está no portal Memória João Pessoa, resultado de um Projeto de Extensão vinculado ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba.
O local físico onde essas transformações encontraram ambiente de comando atende hoje pelo nome de Usina Cultural Energisa, uma das construções mais simbólicas e afetivas da cidade, com referências urbanas que remetem ao final do Século XIX, quando servia de garagem aos bondes de tração animal. Com o tempo, ao movido à eletricidade.
Aquela região era oficialmente chamada de Cruz do Peixe e pertencia a beneditinos (outro dia disse isso, e até fui questionado, mas a informação está com todas as letras no documento acadêmico citado).
Em 5 de Outubro de 1910 foi contratada a instalação do serviço de energia elétrica da capital, cabendo ainda à concessionária administrar o sistema de transporte coletivo, compreendendo as linhas de bonde e a ferrovia Tambaú (que funcionava na base de uma locomotiva a óleo bastante barulhenta e com grande poder de espalhar sujeira conhecida como maxabomba).
A partir de 1911 começaram a chegar os equipamentos, sendo tudo montado neste mesmo ano. Mas somente em 14 de março de 1912 foi inaugurado o sistema de luz elétrica da cidade, sendo a Imprensa Oficial e a Igreja de São Bento, respectivamente, o primeiro prédio público e religioso beneficiados.
Quer dizer, além de sediar o primeiro comando da energia elétrica da cidade, aquele conjunto de prédios proporcionou melhorias fundamentais ao nosso sistema de transportes e ainda se prestou a ponto de apoio para a nossa chegada a Tambaú.
Sérgio Botelho é jornalista e escritor



