Congresso aprova reestruturação de carreiras: supersalários e gratificações de até 100%
Em votação relâmpago, Câmara e Senado dão aval a projetos que reajustam vencimentos e criam "penduricalhos" que permitem ganhos acima do teto constitucional.
Em uma sessão marcada por acordos de lideranças e votações simbólicas, o Congresso Nacional aprovou nesta terça-feira (3 de fevereiro de 2026) um pacote de reestruturação de carreiras para os servidores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. As medidas, que agora seguem para sanção presidencial, incluem reajustes graduais até 2029 e a criação de gratificações que podem dobrar o salário-base de algumas categorias.
Os Principais pontos da aprovação
A reestruturação foi dividida em dois eixos principais (PL 179/2026 para a Câmara e PL 6070/2025 para o Senado). Confira os destaques:
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Gratificação de Desempenho (GDAE): Foi instituída uma nova gratificação que varia de 40% a 100% do maior vencimento básico do cargo ocupado. Ela substitui modelos antigos e foca no chamado “alinhamento estratégico”.
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Aumento Gradual: Os vencimentos básicos terão crescimento anual escalonado entre 2026 e 2029. Na Câmara, o reajuste médio estimado é de 9%, semelhante ao concedido recentemente ao Poder Judiciário.
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Fura-teto e “Penduricalhos”: A criação de uma licença compensatória (por acúmulo de função ou atividade extraordinária) é o ponto mais polêmico. Caso o servidor não utilize os dias de folga, ele pode receber uma indenização em dinheiro que não se submete ao teto constitucional (atualmente em R$ 46.366,19) e é isenta de Imposto de Renda.
Impacto Financeiro e Críticas
Embora o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirme que os custos serão absorvidos pelos orçamentos próprios de cada Casa, estimativas iniciais apontam um impacto bilionário. Somente na Câmara, o custo com pessoal deve saltar para R$ 5,86 bilhões anuais.
“Estamos instituindo um aumento para olhar para a Casa como um todo, desde os técnicos até os cargos de carreira, garantindo a valorização profissional”, defendeu o relator, deputado Alberto Fraga (PL-DF).
Por outro lado, partidos como o Novo e o PSOL criticaram a urgência da votação. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) classificou a medida como uma “distorção” em um momento de ajuste fiscal, apontando que a remuneração bruta no topo de algumas carreiras poderá chegar a R$ 77 mil mensais.
Resumo das Mudanças
| Categoria | Mudança Principal | Impacto Estimado |
| Analistas/Técnicos | Reajuste gradual no salário-base até 2029. | Aumento médio de 9%. |
| Cargos de Chefia | Gratificação de Desempenho (40% a 100%). | Salários podem dobrar. |
| Geral (Indenizações) | Licença compensatória convertida em pecúnia. | Pagamentos acima do teto de R$ 46,3 mil. |



