PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Um Varadouro animadíssimo

Sérgio Botelho – A edição de 9 de janeiro de 1934 (uma terça-feira) do jornal A União, registra uma Festa de Reis na rua Visconde de Itaparica. O texto informa que às 20 horas do dia 5 (portanto, antecipada), moradores se reuniram para os festejos, com a presença do próprio governador Gratuliano de Brito.
A referida rua compõe o bairro do Varadouro, na região contígua ao setor urbano que a gente conhece como Cordão Encarnado. Ela fica entre as ruas da República e Índio Piragibe, paralela à São Miguel, terminando na altura da Praça 2 de Novembro, a do Cemitério Senhor da Boa Sentença.
Convém saber que aquela área de João Pessoa já se constituiu num setor de grande importância urbana, mais fortemente até a década de 1950. Havia um distrito industrial pujante integrado pelas Fábrica de Guaraná Sanhauá, Prensa de Algodão Abílio Dantas e Indústrias Matarazzo, bem no início da República.
No quesito das festividades, não apenas a Festa de Reis atraia o povo pessoense àquele setor da cidade. A Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na São Miguel, mantinha uma animada e sedutora festa, em que se misturava o profano com o sagrado, entre o final de novembro e início de dezembro.
Na mesma São Miguel, havia o tradicional clube Esquadrilha V, que homenageava a Foça Aérea e mantinha atividades esportivas e festivas de grande apelo popular na João Pessoa de então. Os desfiles de Carnaval do Esquadrilha V eram aguardados com frenesi pela população pessoense.
Ali perto, a Praça do Trabalho (também conhecida como Praça da Pedra), inaugurada na década de 1930, costumava servir a eventos cívicos diversos, especialmente aos promovidos por organismos, que eram muitos, sob a direção dos trabalhadores.
Ainda no campo do divertimento, havia três salas de cinema na região: a do Filipéia, na esquina da Rua da República com a general Osório; a do Astória, na parte mais próxima da São Miguel; e a do São Pedro, na própria São Miguel, bem próxima do Esquadrilha V.
Pense num Varadouro animado que era aquele!
Sérgio Botelho – Jornalista e escritor



