ARIMATÉA MENEZESCOLUNA

Os Simples Gestos da Vida – Por Eri Alves

Foto: Ilustração

Não é exagero escatológico e nem alarmismo gratuito, mas é nítido que o mundo nosso dos vivos cambaleia embriagado, conspurcado na corrupção humana. É uma taça transbordante de obscuridades espirituais, dada aos homens, que insanamente bebem o vinho da maldade.

A mistura tem toda sorte de ganância pelo poder; inveja que promove a morte; o orgulho que impede qualquer discernimento. O mal avança sobre os pés de gafanhotos diabólicos. O iter malignus tem consumação na destruição total. O prazer de um poderá ser a dor do outro. A fortuna de um, a miserabilidade do próximo. A megalomania é o poder ignóbil que escraviza os fracos.

A pobreza crescente ganha contrates cada vez mais acentuados em face da riqueza dos poucos abonados. É avassalador a quantidade dos anestesiados na idiotice das fantasias ideológicas. É o mundo das bolhas, a limitante da sanidade. Parafraseando o mestre de Nazaré, quem tem entendimento, que interprete o tempo de hoje. E como deter a fúria dos “homens endiabrados”? E esta mais que uma indagação é um pedido de socorro dos que ainda se mantém íntegros em meio à degradação humana.

Isso não é novo. Os dias de Noé vivemos hoje. Cumpre-se o que Jesus disse aos discípulos acerca dos dias vindouros (Mateus 24:37). Diante de toda aflição dita acima, um dito cinematográfico chamou-me a atenção, que poderá ser uma resposta para a angustiante questão: “Não é um grande poder que pode manter o mal sob controle. Descobri que são as pequenas coisas, as tarefas diárias de pessoas comuns que mantém o mal afastado. Simples ações de bondade e amor”. Estas palavras são do mago Gandalf, interpretado por Ian McKellen, no filme Hobbit: Uma Jornada Inesperada, filme que, em um mundo de necromantes versus guerreiros, trata da batalha do bem contra as hostes do mal, baseado na obra do escritor e filosofo britânico, JRR Tolkien.

É verdade, o homem de forma insaciável tem buscada uma vida cada vez mais de glórias pessoais. Mas depois, pagam o preço da vergonha. Corre atrás do vento. Esquece que a satisfação pode ser encontrada nas coisas mais singelas. E elas não tem custo. É só exercer a fluição no que está acessível a todos. É com boas práticas de misericórdia que geramos luz. É partilhando que ganhamos força. É distribuindo que se produz mais.

O amor é mesmo o grande poder contra o mal. Nada vence a caridade. Jesus venceu o mundo no amor (João 16:33). Tudo se rendeu diante dele. Está na hora de aprender com Cristo a humildade e mansidão, assim dissipar toda maldade sombria que desponta no horizonte dos homens. Pode estar em pequenos gestos a construção de dias melhores. O mal nunca vencerá o bem. Salomão em sua sabedoria diz que debaixo do sol, os velozes nem sempre vencem a corrida; os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o tempo e o acaso afetam a todos (Eclesiastes 9:11). É certo que a vaidade dará lugar ao sentido da boa vida quando se restaurar no homem a imagem de Deus por meio do seu Filho Jesus. Então, cultivemos os pequenos e valiosos gestos da vida.

Eri Alves

Eri Alves – Pastor e Jornalista

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